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CEBRASPE · 2025 · Fundação Inoversa Sul · Arquivista

Questão 28 – Língua Portuguesa – CEBRASPE 2025 – Fundação Inoversa Sul (Arquivista)

Comando

O híbrido tem por finalidade nomear algo ou alguém cuja formação é múltipla, derivada de fontes heterogêneas. Tal termo passa a ser empregado nos estudos da cultura a partir dos deslocamentos e das migrações acentuadas do século XX. Na literatura, com mais propriedade nos estudos pós-coloniais, é abordado por Homi Bhabha, que, por sua vez, o trouxe da concepção de Bakhtin de “hibridismo linguístico”. O híbrido constitui a identidade do duplo, dinâmica, flexível, plurivocal e multimodal em contraposição à concepção hierárquica da identidade pura, única, autêntica, univocal, monolítica e uniforme que, além de infecunda, é anticomunitária. Como termo amplamente usado por vários críticos e estudiosos, gera polêmica e controvérsias, atingindo patamares de significação positiva ou negativa de acordo com a nuança que lhe seja empregada. Stelamaris Coser afirma que, ao se reverter “o movimento do centro para a periferia que caracterizou a era colonial e fez das colônias ‘o local dos sincretismos e hibridismos’, os grandes ‘centros globais’ são agora internacionalizados e hibridizados neste novo momento histórico pós-(neo)colonial”.

Nesse caso, não se trata de enaltecer ideologicamente os encontros culturais, tampouco de anular os conflitos e choques que resultam das diferenças, mas, acima de tudo, de perceber o hibridismo que forma a realidade interamericana e a força criativa que dele resulta. Ainda segundo Coser, “uma inevitável transformação cultural é resultante da entrada, circulação e crescente poder dessa multiplicidade de vozes, visões e estilos que renovam e modificam a face da nação”. Igualmente, para Stuart Hall, a ocorrência do hibridismo (cultural, linguístico e literário) permite que o “novo” entre no mundo inscrito pelas forças hegemônicas e as modifique, passando a ser uma condição necessária à modernidade das comunidades construídas entre os impasses de perdas e ganhos sócio-históricos.

Leoné Astride Barzotto.

Deslocamento e memória em “La mano em la tierra”, de Josefina Plá.

In: Elena Palmero González e Stelamaris Coser (orgs.).

Entre traços e rasuras: intervenções da memória na escrita das Américas.

Rio de Janeiro: 7Letras; FAPERJ, 2013, p. 52 (com adaptações).

Em relação às ideias e propriedades linguísticas do texto precedente, julgue os itens seguintes.

Por sua natureza adverbial, o termo “Igualmente” (último período do texto) poderia ser deslocado para imediatamente depois de “Stuart Hall” ou para depois da forma verbal “permite”, sem prejuízo do sentido original do texto, desde que feitos os devidos ajustes de letra inicial maiúscula e minúscula no período e suprimida a vírgula que segue o referido advérbio.

Na base da estratificação social, como a camada mais

explorada, sem qualquer representação ou direito, ficava a grande

massa escrava de trabalhadores das minas, das lavouras e dos

transportes. Todo o aparato ostensivo de repressão vigiava, em

cada vila, a esses miseráveis, para prevenir as fugas, a vadiagem

e, sobretudo, as rebeliões. A insurreição surge, porém, na classe

alta, de que se destaca uma elite letrada, que se propõe formular

um projeto alternativo ao colonial de reordenação da sociedade.

Trata-se do mais ousado dos projetos libertários da história

colonial brasileira, uma vez que previa estruturar uma república

de molde norte-americano, que aboliria a escravidão, decretaria a

liberdade de comércio e promoveria a industrialização. A eclosão

da mal chamada Inconfidência Mineira deveria ter lugar

em 1789. Presos por denúncia, todos os inconfidentes foram

desterrados para a África, onde morreram, exceto Tiradentes, a

figura principal da conspiração, enforcado após três anos de

cárcere e, depois, esquartejado e exposto nos lugares onde antes

conspirara, para escarmento da população.

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