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1 Não faz muito tempo, fui assistir à ópera As Bodas
de Fígaro, de Mozart. Aproximando-se o final do
espetáculo, o personagem mais importante, Fígaro, faz um 4 comentário cruel a respeito das mulheres. Na montagem
que vi, o diretor de cena teve a ideia de acender as luzes da
plateia durante o canto de Fígaro, que saiu do palco e 7 dirigiu-se aos homens presentes.
Logo atrás de mim, uma senhora furiosa
levantou-se. Fez o sinal de “não” nas fuças do pobre cantor 10 e retirou-se protestando em voz alta. Pensei que ela poderia
ter prestado mais atenção. O tema nuclear de As Bodas de
Fígaro é atual: trata-se de desmascarar, denunciar e punir 13 um poderoso aristocrata que é violento predador sexual.
Aquela senhora furiosa revoltou-se antes do tempo
e não viu a condenação do conde brutal. Tal 16 suscetibilidade, decorrente da situação inferior em que, do
modo mais injusto, as mulheres são mantidas em nossas
sociedades, é compreensível. Mas indignou-se cedo 19 demais.
Indignação: eis o problema. Nunca tive simpatia por
essa palavra. Pressupõe cólera e desprezo. Quando estamos 22 sozinhos, a indignação nos embriaga como se fosse uma
droga. Arrebata a alma, enfurece as vísceras, dilata os
pulmões e nos faz acreditar na veemência do nosso ódio. 25 Viramos heróis justiceiros diante de nós mesmos.
A solidão indignada faz grandes discursos interiores
contra aquilo que erigimos como inimigo. Serve para dar 28 boa consciência. É um prazer solitário. Exaltados,
arquitetamos vinganças e reparações. Depois, o balão
murcha, sobrando apenas nossa miserável impotência. 31 Ao se manifestar na presença de outra pessoa, ou de
duas, ou em um pequeno grupo, a indignação leva ao
descontrole. Nervosos, falamos alto e dizemos coisas que, 34 na calma, jamais pronunciaríamos. Porque não somos mais
nós que falamos, mas algo que está em nós e que ocupou
nosso corpo esvaziado de qualquer poder reflexivo: a 37 indignação.
Fonte: Jorge Coli. A indignação enfurece as vísceras e nos embriaga como se fosse droga. Internet: <www.folha.com.br> (com adaptações).
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em aterro sanitário envolve o uso de reator anaeróbio. O esquema a seguir ilustra de maneira simplificada uma das sequências de processos da digestão anaeróbia da matéria orgânica mediada por esse tipo de reator.

Van Handel, et al. 1994 (com adaptações).
O valor e a estabilidade do pH no reator anaeróbio são
extremamente importantes: uma taxa elevada de metanogênese só
se desenvolverá se o pH se mantiver entre 6,3 a 7,8. As
populações de microrganismos que atuam nas etapas de
acidogênese e acetogênese são pouco sensíveis a valores baixos
ou altos do pH. Desse modo, em um pH baixo, a fermentação
ácida pode prevalecer sobre a fermentação metanogênica, o que
resulta no azedamento do conteúdo de chorume do reator.
Considerando as informações precedentes, julgue os itens que se
seguem.
Em relação ao pH, que é uma condição abiótica do meio, a atividade dos microrganismos nas etapas de acidogênese ocorre dentro de um nicho mais restrito que aquele onde as populações atuam na etapa de metanogênese. JUSTIFICATIVA - ERRADO. Uma taxa elevada de matanogênese só pode se desenvolver quando o pH se mantém entre 6,3 a 7,8. As populações de microrganismos que atuam nas etapas de acidogênese e acetogênese são muito menos sensíveis para valores baixos ou altos do pH, então, em relação ao pH, que é uma condição abiótica do meio, a atividade dos microrganismos que atuam nas etapas de acidogênese funciona dentro de um nicho mais amplo do que aquele onde atuam as populações na etapa de metanogênese. Nesse contexto, nicho biológico pode ser entendido sobre diversas perspectivas: como a posição ou o status de um organismo dentro de sua comunidade e de seu ecossistema, resultante de suas adaptações estruturais, respostas fisiológicas e comportamento específico (por herança e(ou) aprendizado); como a soma total do uso dos recursos bióticos e abióticos por um organismo em seu ecossistema; ou, ainda, como a relação do indivíduo ou da população com todos os aspectos de seu ambiente — incluindo-se o papel ecológico das espécies dentro da comunidade.