Texto 1 de 1
Os biólogos sustentam que nosso mundo mental e emocional é governado por mecanismos bioquímicos definidos por milhões
de anos de evolução. Como todos os outros estados mentais, nosso bem-estar não é determinado por parâmetros externos como
salário, relações sociais ou direitos políticos. Em vez disso, é determinado por um complexo sistema de nervos, neurônios, sinapses
e várias substâncias bioquímicas como serotonina, dopamina e oxitocina.
Ninguém fica feliz por ganhar na loteria, comprar uma casa, obter uma promoção ou encontrar o amor verdadeiro. As pessoas
ficam felizes por um único motivo: sensações agradáveis em seu corpo. Uma pessoa que acabou de ganhar na loteria e pula de
alegria não está reagindo ao dinheiro; está reagindo a vários hormônios que inundam sua corrente sanguínea e à tempestade de
sinais elétricos pipocando em diferentes partes de seu cérebro.
A felicidade e a infelicidade exercem um papel na evolução somente na medida em que encorajam ou desencorajam a
sobrevivência e a reprodução. Talvez não cause surpresa, então, que a evolução tenha nos moldado para sermos nem felizes
demais, nem infelizes demais. Ela nos permite sentir um ímpeto momentâneo de sensações agradáveis, mas estas nunca duram para
sempre. Mais cedo ou mais tarde, diminuem e dão lugar a sensações desagradáveis de carência e insatisfação. Tão logo consigamos
o que desejamos, não parecemos mais felizes, isso em nada muda a nossa bioquímica. Pode estimulá-la por um breve tempo, mas
voltamos ao ponto inicial de expectativa de felicidade.
Fonte: (Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. **Sapiens**. **Uma breve história da humanidade**. Trad. Janaína Marcoantonio. 38. ed. Porto Alegre, RS: L&PM, 2018, 396-398, *passim*)
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em: