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FCC · 2022 · Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR) · Analista Judiciário

Questão 2 – Língua Portuguesa – FCC 2022 – Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR) (Analista Judiciário)

Texto 1 de 1

1 Antigamente, se morria. 30 tinha coisas que tem que matar.

1907, digamos, aquilo sim A honra, a terra e o sangue

é que era morrer. mandou muita gente praquele lugar.

Morria gente todo dia, Que mais podia um velho fazer,

e morria com muito prazer, nos idos de 1916,

já que todo mundo sabia a não ser pegar pneumonia,

que o Juízo, afinal, viria, deixar tudo para os filhos

e todo mundo ia renascer. e virar fotografia?

Morria-se praticamente de tudo. Ninguém vivia pra sempre.

10 De doença, de parto, de tosse. Afinal, a vida é um upa.

E ainda se morria de amor, 40 Não deu pra ir mais além.

como se o amar morte fosse. Mas ninguém tem culpa.

Pra morrer, bastava um susto, Quem mandou não ser devoto

um lenço no vento, um suspiro e pronto, de Santo Inácio de Acapulco,

lá se ia nosso defunto Menino Jesus de Praga?

para a terra dos pés juntos. O diabo anda solto.

Dia de anos, casamento, batizado, Aqui se faz, aqui se paga.

morrer era um tipo de festa, Almoçou e fez a barba,

uma das coisas da vida, tomou banho e foi no vento.

20 como ser ou não ser convidado. Não tem o que reclamar.

O escândalo era de praxe. 50 Agora, vamos ao testamento.

Mas os danos eram pequenos. Hoje, a morte está difícil.

Descansou. Partiu. Deus o tenha. Tem recursos, tem asilos, tem remédios.

Sempre alguém tinha uma frase Agora, a morte tem limites.

que deixava aquilo mais ou menos. E, em caso de necessidade,

Tinha coisas que matavam na certa. a ciência da eternidade

Pepino com leite, vento encanado, inventou a criônica.

praga de velha e amor mal curado. Hoje, sim, pessoal, a vida é crônica.

Tinha coisas que tem que morrer, (LEMINSKI, Paulo. Toda poesia, 2013)

“Agora, a morte tem limites.” (verso 53)

Implícito a esse verso está a ideia de que, antes, a morte mostrava-se

Alternativas

Observações: instrução do caderno: <u>Atenção</u>: Para responder às questões de números 01 a 07, considere o poema “O que passou passou?” do escritor curitibano Paulo Leminski.

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